Baianos já começam o ano endividados

Mas o dinheiro rápido e fácil pode gerar dor de cabeça para quem o contrata sem o devido planejamento


Tribuna da Bahia, Salvador
19/01/2018 10:00 | Atualizado há 6 horas e 2 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus

Por Jordânia Freitas

O ano mal começou e já tem muito baiano na fila dos bancos e financeiras em busca de crédito. Atraídos por juros mais baixos, parcelas a perder de vista e desconto direto em folha ou na conta, quem é servidor público ou recebe algum tipo de benefício prefere o empréstimo consignado. Mas o dinheiro rápido e fácil pode gerar dor de cabeça para quem o contrata sem o devido planejamento.

Na manhã de ontem, seis pessoas aguardavam ser atendidas na  Help Loja de Crédito, no Comércio, em Salvador. Todas para fazer renovação ou contratação dessa modalidade de empréstimo. Seu Fernando Bispo da Hora, de 61 anos, era uma delas. Mesmo com o nome negativado, ele queria a liberação de R$1,5 mil reais para quitar dívidas.

Essa não foi a primeira vez que o aposentado fez esse tipo de transação financeira. Na Help, assim como em outras financeiras, ter restrições junto aos órgãos de proteção ao crédito não é empecilho para solicitar o crédito consignado. O mesmo não ocorre em grandes bancos.

Com beneficio de aproximadamente R$1,6 mil por mês, Fernando Bispo revelou que só tinha como pagar o empréstimo em 12 vezes, sem comprometer o orçamento doméstico.  

Somente neste mês de janeiro, cerca de 20 clientes são atendidos diariamente na  Help Loja de Crédito para fazer empréstimo consignado. Segundo Jayne Lina Ferreira, supervisora do estabelecimento, homens e mulheres com mais de 50 anos e beneficiários do INSS são os clientes que mais procuram essa linha de crédito. Ela afirma que todos costumam parcelar o débito no prazo máximo: 72 vezes, na folha de pagamento, e 12 vezes na conta bancária.

Regras

O economista, educador financeiro e professor de economia do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), Antônio Carvalho, diz que o empréstimo consignado é uma modalidade atrativa por conta da facilidade de acesso. Geralmente é concedido para aposentados, pensionistas e servidores públicos com juros menores que 2% ao mês, taxa considerada baixa no mercado financeiro. Além disso, há bancos estendendo o parcelamento das prestações em até 96 prestações.

Antônio Carvalho ressalta que, por conta da crise financeira, algumas instituições também estão oferecendo esse tipo de empréstimo para empregados de empresas privadas. Mas, nesses casos, os juros praticados são mais altos, girando em torno de 3% e 4%. 

Riscos 

Na opinião Carvalho, por ser barato e fácil de conseguir, o grande risco do consignado é o acúmulo de vários empréstimos. “Parece que vicia. As pessoas ficam meio dependentes. Fazem o primeiro empréstimo, e resolvem algumas coisas, mas como ele é aparentemente barato e com prestações menores, começam a fazer isso sem critério”, alertou o especialista.

O professor de economia revela que já encontrou pessoas com até oito empréstimos consignados, com prazos longos para pagamento, entre 60 e 96 meses.O somatório das prestações consumia praticamente toda a renda do indivíduo.

Antes de fazer um empréstimo consignado, é preciso avaliar quanto já está comprometido com as despesas fixas e o que sobra para fazer essa dívida de longo prazo. “O valor da parcela tem que caber no orçamento mensal, com sobra. Não pode comprometer todo o orçamento. A pessoa tem que manter uma reserva, porque se tiver qualquer imprevisto ela vai entrar em um processo de endividamento”, completou Antônio Carvalho.

Muitos idosos aposentados e pensionistas fazem empréstimos para familiares e pessoas próximas. Alguns  não conseguem negar o pedido por ainda se sentirem provedores da família. Segundo Carvalho, se for possível negar, esse é o melhor caminho, pois se a dívida não for paga a responsabilidade recairá sobre o idoso. Se não tiver como recusar, o ideal é avaliar se o empréstimo é para algo realmente necessário, como casos de saúde, e se quem está pedindo tem condições de pagar.

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