A Casa da Bahia

Luiz Holanda


Tribuna da Bahia, Salvador
21/11/2017 08:17

   

O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) é a instituição cultural mais antiga do nosso estado. Casa onde se registram os acontecimentos históricos e a memória da Bahia,  IGHB foi fundado em 13 de maio de 1894, tendo como finalidade a promoção de estudos, desenvolvimento e difusão dos conhecimentos de Geografia, de História e Ciências afins, além da defesa e conservação do patrimônio histórico, artístico e cultural da Bahia e do Brasil.

Qualificado como sociedade civil de interesse público, não tem finalidade lucrativa nem posição político-partidária. Seu objetivo é a promoção de estudos e do desenvolvimento cultural do nosso estado, além da difusão dos conhecimentos de História, Geografia e Ciências afins.

À época de sua fundação, a Bahia era governada por Rodrigues Lima, cuja administração foi marcada por uma reestruturação administrativa total, abrangendo a cultura, a educação e obras públicas, notadamente as relacionadas ao combate contra a seca.

Seu busto se encontra atualmente no Largo da Vitória. O monumento foi autorizado por resolução municipal nº 144 de 4 de janeiro de 1905 e inaugurado a 13 de maio de 1911, pelo governador João Ferreira de Araújo Pinho e pelo intendente (prefeito) Antônio Carneiro da Rocha. O monumento traz a seguinte inscrição: "Dr. em Medicina pela Faculdade da Bahia; voluntário do Corpo de Saúde do Paraguay;. deputado provincial; senador do Estado; membro da Constituinte; Intendente do Município de Caetité, onde residia, e Governador deste Estado."

O IGHB mantém intercâmbio com instituições congêneres e edita livros e periódicos, dentre os quais sua própria revista e um boletim informativo, além de patrocinar inúmeros congressos e encontros culturais. O estilo neocolonial de sua sede caracteriza-se por uma especificidade em relação às variantes do ecletismo, expressão arquitetônica da arquitetura brasileira da época.

Inúmeras outras entidades compõem o IGHB, como a Biblioteca Ruy Barbosa, o Acervo Cartográfico e outras, destinadas a fornecer e a transmitir aos pesquisadores documentos, peças, mapas e impressos heliográficos da nossa história. Na Biblioteca Ruy Barbosa existem cerca de 30 mil títulos, incluindo obras raras, à disposição de pesquisadores e interessados.

O mesmo acontece no Arquivo Theodoro Sampaio, que reúne e conserva acervos particulares, a exemplo de Theodoro Fernandes Sampaio, Brás do Amaral e Hildegardes Viana, além de preciosidades como os manuscritos de poesias de Castro Alves e cartas de Antônio Conselheiro.

Ao percorrer as instalações da instituição, é possível conferir em seu Museu uma importante coleção de retratos, além de esculturas de bronze e mobiliário da época, bem como peças religiosas da cultura africana na Bahia.

Periodicamente o Instituto realiza palestras, congressos, encontros e seminários para discutir assuntos relacionados à história, geografia e ciências afins.

O IGHB também é guardião do Pavilhão 2 de Julho, no Largo da Lapinha, onde estão os dois principais símbolos da maior festa cívica do país: o Caboclo e a Cabocla, ícones da participação popular nas lutas pela independência baiana

Seu presidente, Eduardo Castro, é um homem de múltiplas funções. Além de participar de diversas instituições, como a Irmandade do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Conceição da Praia, da Devoção do Senhor Bom Jesus do Bomfim e da Santa Casa da Misericórdia da Bahia, foi presidente do Conselho de Curadores do IMIC - Instituto Miguel Calmon de Estudos Sociais e Econômicos e diretor da Associação Brasileira do Comércio de Produtos Químicos e Petroquímicos.

Eduardo Castro, que substituiu a escritora Consuelo Pondé no comando do órgão, conta com a colaboração de Beatriz Cerqueira Lima, José Nilton Carvalho, Joaci Góes, Newton Cleyde Alves Peixoto, 

Alberto Nunes Vaz da Silva, Wilson Thomé Sardinha Martin, Fernando Antônio, Edivaldo Boaventura. Sérgio Mattos, Maria Nadja Nunes Bittencourt e  Zita Magalhães Alves.

O IGHB é chamado “Casa da Bahia” porque foi construído com recursos popular, de modo que todo o seu acervo é um tesouro que pertence ao povo. Ali se encontram exemplares de todos os jornais baianos, com destaque para a Tribuna da Bahia, cuja história é o maior exemplo das lutas pela democracia e pela liberdade de imprensa no país.

Luiz Holanda é advogado e professor universitário.


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