Eficiência com impopularidade

Joaci Góes


Tribuna da Bahia, Salvador
16/11/2017 09:13

   

O Governo Temer é o maior oximoro político dos tempos modernos: uma grande impopularidade, não obstante sua inegável eficiência na conquista de resultados. A conhecida interjeição “É a economia, idiota!”, atribuída a James Carville, assessor de Bill Clinton, na campanha presidencial de 1992, para dizer que é o ambiente econômico o fator decisivo de popularidade de um presidente, encontra no Brasil de hoje, marcante exceção. Daí a maldição dos 3%: 3% de inflação, 3% de juros reais, 3% de crescimento econômico, em curso de ser alcançado e 3% de popularidade do Presidente, o líder do processo. Só não se sabe quanto tempo essa contradição durará.

Os fatos, porém, teimosos como são, falam por si sós, como lecionou o longevo John Adams(1735-1826), teórico do Iluminismo, grande líder da Revolução Americana, fervoroso defensor da meritocracia e segundo presidente dos Estados Unidos: “Os fatos são teimosos; e sejam quais forem nossos desejos, inclinações ou os ditames de nossas paixões, eles não podem alterar os fatos nem suas evidências”.

Temer recebeu o governo com uma inflação acima de 10%, derrubando-a para abaixo de 3%, fato que representa notável proteção do poder aquisitivo do salário da grande massa de trabalhadores, gerando consumo e consequente crescimento, pela redução da ociosidade do nosso sistema produtivo. O desemprego, que atingiu 13,7%, já caiu para 12,4%, devendo, baixar para 11%, até o fim do corrente ano, e para 8%, no curso de 2018, em razão da recuperação da economia e da reforma trabalhista, corajosamente empreendida por Michel Temer, imperiosa necessidade, reconhecida pelas pessoas inteligentes e bem informadas, mas temida por todos os presidentes, pelo seu potencial de impopularidade promovida pelo populismo bolivariano, especialista em prometer o céu na terra, ainda que ao preço do comprometimento da estabilidade financeira pública e do bem-estar das gerações futuras. O ano de 2018 deverá bater todos os recordes em matéria de geração de empregos. Só por má-fé ou desinformação pode-se condenar a Reforma Trabalhista. Com 3% da população mundial, o Brasil responde por mais de 90% das reclamações trabalhistas do Globo. Pelos critérios processuais da Inglaterra, mais de dois terços das reclamações trabalhistas processadas no Brasil seriam condenadas por litigância de má-fé, com severas punições extensíveis aos advogados. Não foi sem razão o desencanto do jurista Orlando Gomes, um dos pioneiros do Direito do Trabalho Brasileiro, com a farsa em que se transformou a prática trabalhista entre nós. Partindo do mais recessivo ambiente econômico de nossa história, a retomada em curso do PIB deverá ensejar um crescimento na faixa dos 4% em 2018.

Temer recebeu uma taxa Selic de 14% e já a reduziu para 7,5, facilitando a retomada dos investimentos, com juros reais da ordem de 3,5% a.a. para o investidor. Com um endividamento da ordem de 70% do PIB, a queda de cada ponto percentual da Taxa Selic representa uma diminuição de 42 bilhões de reais, ao ano, do custo da dívida pública. Se a Reforma da Previdência for aprovada, coisa que Lula e Dilma sabiam indispensável, mas não levaram adiante por pusilanimidade, diante das chantagens de nossas viciadas centrais sindicais, a taxa de juros cairá ainda mais. Um recorde histórico. Nosso superávit comercial que beirou a zero, deverá chegar a 80 bilhões de dólares, ainda neste ano.  

Para a desgraça nacional, temos, hoje, a pior oposição da história do País. Para ela o que importa é a retomada do poder a qualquer preço, mesmo conducente à trilha suicida da Venezuela de Hugo Chavez e Nicholas Maduro. Ela mente, agora, em seu desesperado empenho para evitar a prisão do seu líder, que o Governo Temer gastou 14 bilhões para comprar a derrubada das denúncias de Janot. Boa parte da população acredita nisso, porque não sabe que emendas de parlamentares ao orçamento de 2017 têm que ser liberadas no mesmo ano, conforme a Lei. O professor da FGV Carlos Pereira, explicou no jornal O Estado de São Paulo que, num índice de zero a 100 de custo da governança, Temer tem 15, Dilma chegou a 88 e Lula a 95. 

Os fatos são teimosos, e eles marcham para fazer do impopular Presidente de hoje um grande eleitor no pleito de 2018.


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