Governo e oposição no Brasil

Joaci Góes


Tribuna da Bahia, Salvador
03/11/2017 07:55

   

É muito densa a percepção da má qualidade de nossos serviços públicos, a partir das elites dirigentes encasteladas na cúpula dos três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário-, cada qual protagonizando, a seu modo, contínuos vexames de fazer corar monges de pedra. As conspícuas exceções não infirmam a regra geral.

No plano do Executivo, o vexame é ainda maior tendo em vista o reconhecimento majoritário de que a oposição é sensivelmente pior do que o governo que critica, usufrutuário de um dos mais baixos níveis de aceitação de nossa história. Também, na oposição, as exceções não comprometem a validade da regra nada lisonjeira da má qualidade dominante.

A oposição sabe que as ações movidas contra o Presidente Temer terão curso normal, tão logo ele deixe a Presidência, em primeiro de janeiro de 2019. Como qualquer pessoa minimamente esclarecida, em matéria de análise política, sabe, também, que, em razão das regras em vigor, as possibilidades do impedimento de Temer oscilam, como ficou demonstrado nas duas tentativas recentes, entre nenhuma e nenhuma. Os casos de Fernando Collor e Dilma Rousseff – difícil saber quem o mais arrogante- são emblemáticos das trágicas consequências embutidas na soberba apoiada na imaturidade e no despreparo, de mãos dadas. Nada é tão ruim quanto as convicções dos semi-cultos. 

O intento, porém, da oposição de levar o País à lona, como meio de enfraquecer o governo, impedindo-o de avançar nas benfazejas reformas em curso, de alcances variados, indispensáveis ao reequilíbrio das contas públicas, só não será plenamente realizado, graças à queda da inflação em níveis que têm surpreendido analistas de fora e de dentro do Brasil, proporcionando sensível diminuição dos juros da dívida pública, em face da redução da taxa Selic. Cada ponto percentual de queda da Selic gera uma economia dos gastos públicos da ordem de 42 bilhões de reais por ano. Caso o Governo consiga realizar a difícil façanha de aprovar a indispensável e urgente Reforma Previdenciária, a retomada do crescimento econômico, com o aumento dos postos de trabalho e da renda média dos trabalhadores, diminuirá o nível de aceitação de uma oposição que aposta no quanto pior melhor para continuar engabelando a patuléia ignara que, por mera ignorância, adere ao milenário preceito religioso, ético e poético, reagindo como “o sândalo que, mesmo quando de morte ferido, perfuma o gume do machado que o golpeia”!  No Brasil, como em Cuba e na Venezuela, as massas padecem da síndrome de Estocolmo, fenômeno psicológico em que os torturados amam os seus torturadores, tornando-se presa fácil dos que lhes prometem o céu na terra, mediante a proscrição da meritocracia e da estigmatização de quem produz e cresce na escala social. 

O elemento emocional destrutivo da esquerda velha, predominante no Brasil, reside na sua dominação pelo sentimento da inveja, decorrente da sensação de que não são capazes de sobreviver em ambiente competitivo, fenômeno tão bem estudado e denunciado por intelectuais de vanguarda do estofo de William Bartley, Ralf Dahrendorf, Miguel de Unamuno, Ludwig Von Mises, Friedrich Hayek, e, mais recentemente, Gonzalo Fernández de La Mora, em seu clássico La envidia igualitária, e Helmut Shoeck, no monumental Envy, a theory of social behavior, como tivemos ocasião de expor em nosso livro de 2001, A inveja nossa de cada dia. 

É patético testemunhar personalidades venerandas da velha esquerda nacional oscilar entre silenciar e defender os seus líderes que primaram por montar a mais portentosa organização criminosa contra a bolsa popular, de que se tem notícia, no espaço e no tempo.

A Europa já amadureceu para diagnosticar a obsolescência da velha esquerda, hoje reduzida a percentuais que oscilam entre um teto de 20%, em países como Inglaterra, França, Alemanha e Itália, e o piso de 4%, na Grécia, devastada pelo ideário suicida da esquerda populista.


Compartilhe       

 


TRIBUNA VIRTUAL