O começo da recuperação

Joaci Góes


Tribuna da Bahia, Salvador
29/12/2017 07:53

   

Finalmente, a economia brasileira se recupera, depois de três anos de queda, que quase nos leva à lona. Essa é a conclusão unânime dos especialistas de dentro e de fora do Brasil. A intensidade do avanço, porém, dependerá da extensão da Reforma Previdenciária, prevista para fevereiro próximo, sem a qual será inevitável o mergulho no abismo bolivariano a que nos querem levar ponderáveis parcelas das esquerdas brasileiras, vistas como das mais despreparadas e reacionárias do Planeta, ao lado dos hermanos de Cuba, Venezuela e quejandos.

Nos dezoito meses do atual governo, a inflação caiu de quase onze para abaixo de três por cento ao ano, enquanto a taxa Selic desceu de 14,5% para 7%, dois recordes absolutos em nossa história. Nada como inflação próxima de zero para proteger o poder aquisitivo da população de baixa renda. A última pesquisa que apontou um crescimento de 100% na aprovação do Presidente Temer, ao subir de três para seis por cento, é prova disso insofismável. Como consequência, passamos a crescer, ainda que timidamente no ano em curso, mas com previsão entre três e quatro por cento em 2018, dados a serem festejados. Como é natural, o desemprego que chegou a 13% deve encerrar 2017 pouco acima de 11%, podendo cair para abaixo de 8% até o fim do próximo ano, a depender da Reforma Previdenciária, baliza definidora da confiança e decisão dos que cogitam investir no Brasil. Quanto mais realista for a Reforma, maior o grau de investimentos e, consequentemente, a velocidade de nossa recuperação. A Grécia e o Rio de Janeiro quebraram graças à irresponsabilidade populista que atua pensando, exclusivamente, no aplauso fácil e na manutenção do poder, engabelando, nas urnas, a patuléia ignara, levada a votar como gado humano.

O Brasil detém, entre todas as democracias, o maior número de empresas estatais. Comparada com os Estados Unidos essa diferença é praticamente infinita, uma vez que, no Colosso do Norte, o setor privado responde pela totalidade da produção econômica. Curiosamente, mesmo com a constatação inequívoca de que as empresas estatais, uma vez privatizadas, tenham passado a transferir aos cofres públicos, sob a forma de impostos, muito mais do que os parcos dividendos do tempo de estatizadas, setenta por cento da população brasileira, por conta de exclusiva ignorância, alimentada pelo discurso reacionário das esquerdas, manifestou sua oposição ao avanço do processo de privatização de empresas que só servem aos seus beneficiários diretos, como os empregados, os políticos ladrões e empresários inescrupulosos. 

A Petrobrás, cantada em prosa e verso, como um exemplo de notável sucesso, não resiste ao teste dos noves fora. Trata-se, na verdade, de uma empresa de desempenho histórico medíocre, quando comparada às quarenta maiores do gênero. Neste terceiro milênio, antes mesmo da eclosão dos escândalos que continuam abalando o mundo, o desempenho da Petrobrás esteve abaixo da média alcançada pelas quinze maiores do setor. A partir da Operação Lava Jato, esse desempenho ficou abaixo de zero. Para os seus oitenta mil empregados, porém, é uma mãe caridosa, com salário médio de vinte mil reais mensais, o mais alto do mundo, para empresas com tantos funcionários. Alguns dos seus diretores, ora cumprindo prisão, nomeados por Lula e Dilma, chegaram a devolver centenas de milhões recebidos a título de propina. A Refinaria Abreu e Lima, em Recife, já custa mais de 1000% acima do orçamento previsto, e ainda não foi concluída. O prejuízo na compra da sucata de Pasadena passou a ser matéria para os tribunais de pequenas causas. Até hoje a Petrobrás não conseguiu autossuficiência na produção de petróleo, aguardada pelo povo brasileiro que paga a gasolina mais cara do Globo. Sim, a Petrobrás é nossa – empregados, políticos e empresários ladrões. Bom mesmo para o povo é sua privatização, já, bem como a privatização de todas as empresas estatais, sejam federais, estaduais ou municipais.

O papel do Estado - União, Estados e Municípios – é o de funcionar como uma agência reguladora, de modo a impedir excessos das partes envolvidas, enquanto se dedica, com concentração total, na elevação da qualidade da infraestrutura social e física, consistente em educação e serviços de saúde de qualidade, para todos, segurança pública, saneamento, estradas, portos e aeroportos para tornar nossos produtos e serviços competitivos nos mercados glabalizados. Aí, sim, nossas obscenas desigualdades diminuem!

O resto é discurso terceiro-mundista que já se sabe no que dá.  

Desejamos aos amigos e leitores um Feliz 2018!


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