Zé Ronaldo está no páreo

Osvaldo Lyra


Tribuna da Bahia, Salvador
16/03/2018 10:00

   

Uma informação começou a circular nos últimos dias nas hostes do governo Rui Costa, de que o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, do Democratas, estaria propenso a desistir de entrar na disputa eleitoral desse ano. Cotado para compor a chapa do prefeito ACM Neto, o que estaria pesando, segundo informação do entorno do governador petista, é que a indefinição do prefeito de Salvador e a possibilidade passar o comando da prefeitura de Feira para seu vice, Colbert Martins, do MDB, estaria pesando. A justificativa para a intriga é que Colbert era, até pouco tempo, um dos maiores adversários de Ronaldo no município e que, por isso, o atual prefeito estaria resistente a embarcar na aventura eleitoral, deixando seu ex-adversário no comando da prefeitura.

No entanto, essa articulação citada acima, não encontra eco junto ao Democratas e ao prefeito ACM Neto. A informação é que o prefeito da maior cidade do interior baiano está feliz da vida e que será candidatíssimo esse ano, seja a vice-governador ou a Senador. Pelo que se diz na cúpula do DEM, Colbert é confiável e se tornou um dos principais auxiliares hoje da prefeitura de Feira. As rusgas que já tiveram no passado não fazem mais parte da relação entre eles. Na última eleição, o prefeito conseguiu aparar as arestas e trazer o ex-opositor para o seu grupo político, o que possui um simbolismo muito grande em Feira e na região. “Cada momento na política é um momento específico”, reforçou um aliado do emedebista.

Responsável por cinco vitórias consecutivas na cidade, entre elas, a que alçou Tarcísio Pimenta ao posto de prefeito, Zé Ronaldo tem uma avaliação de quase 70% no município. Pesa a favor dele ainda a alta aceitação que possui na região da princesa do Nordeste, Semiárido e região Norte do Estado.

Segundo um deputado da base do DEM, o sentimento em Feira e em muitas cidades do interior é que o prefeito ACM Neto será candidato e “está apenas fazendo charminho”, para ser lançado candidato na véspera do prazo para deixar a prefeitura (dia 7 de abril) e se assumir como postulante ao pleito. “Como é para a felicidade de todos e geral da nação, diga que serei candidato”, completou o democrata, enfatizando que os aliados do partido não cogitam outro nome que não seja o de ACM Neto. A informação, inclusive, é que o governador Rui Costa estaria aproveitando o “silêncio” do prefeito democrata para ampliar a tese de indefinição sobre a campanha e, com isso, forçar prefeitos e lideranças do interior a lhes apoiarem.

O fato concreto é que a campanha desse ano não será fácil para nenhum dos dois. Rui Costa não gostaria de enfrentar um adversário como ACM Neto, que é uma liderança política inconteste e tem um governo em Salvador muito bem avaliado. Já o democrata não terá um cenário tão fácil, pois ele enfrentará um governador do PT fortalecido, sentado na máquina administrativa do estado, com a caneta na mão e um Jaques Wagner e um Otto Alencar do lado dele. A indefinição só faz aumentar, se você colocar na conta ainda que os eventuais efeitos da Operação Lava Jato e as articulações político-partidárias podem embaralhar o jogo sucessório na Bahia, como a provável ida do deputado Ronaldo Carletto para o PR e, por tabela, para a base de Neto.

Se Neto conseguir atrair só os republicamos e não garantir o aval do PP, a estratégia será indicar Carletto para o Senado. Já se a vaga for para a vice, o nome que deve ser indicado é o do deputado federal José Rocha. Indefinições à parte, o que se sabe é que a eleição não será fácil, para nenhum dos lados. A conferir.

* Osvaldo Lyra é editor de Política da Tribuna e escreve neste espaço às sextas-feiras.


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