Menos ódio e mais tolerância

Paulo Roberto Sampaio


Tribuna da Bahia, Salvador
18/04/2018 10:56

   

Definitivamente, estamos vivendo a era do ódio. Direita e esquerda resolveram empunhar armas, principalmente na internet, para um processo de destruição em massa. É chocante ver o Brasil, um país por natureza "da paz" contaminado por tanto sentimento bélico. Já é impossível abrir uma caixa de mensagem, em especial o WhatsApp , sem ser contaminado por essa maldita praga. 

Os argumentos são os mais variados, de lado a lado, mas o que choca mais em tudo isso é o sentimento de ódio que brota. Ninguém que pertence ou defende posições correlatas ao lado A presta. É corrupto, ladrão, da mesma laia ou, se do outro lado, da metade dominante da sociedade, ricos, desalmados e que só querem a manutenção das benesses que usufruíram por toda a vida.

É muito triste ver que amizades estão sendo trincadas ou que o prazer de trocar inocentes notas pelo Zap deu lugar a um bombardeio de mensagens e vídeos, muitos deles falsos, as hoje famosas fake news que se proliferam levadas adiante por "inocentes" que por se identificarem com um lado, passam adiante tudo que lhes chega contrário ao outro.

Atacar Lula então virou o esporte preferido de 10 entre 10 endinheirados ou não, mas que repousam em seus ombros tudo de ruim que se abate sobre o país hoje. Ninguém discute nem avalia os avanços sociais, as conquistas e benefícios que empreendeu. Só existe nele a reencarnação do demônio.

E se Lula não presta, ninguém mais do PT ou entre seus aliados, presta. 

Companheiros de partido ou simples aliados têm sido provocados, ofendidos e hostilizados em ambientes públicos e até em aviões como se tivéssemos o direito de sair por ai a xingar e ofender os nossos desafetos. 

É como se passássemos a integrar as famigeradas torcidas organizadas, aquelas que estão sendo banidas dos estádios, porque para lá vão armadas de paus e pedras, armas de todo tipo, não para torcer, mas para agredir, ferir, massacrar. Para matar.

Juízes, ministros ou simples candidatos à Presidência são perseguidos nas ruas pelos novos guardiões da moralidade ou defensores de suas ideias, que devem ser por todos, seguidas. Sempre com um celular nas mãos para tudo filmar e ganhar seus 15 minutos de estrelato nas redes sociais.

São cenas chocantes e deprimentes, que nos levam a uma sociedade primitiva. 

Senhoras e Senhores, respeitável público, menos, menos, tá, ou em breve estaremos a pendurar num poste da praça a cabeça de nossos adversários.

Não podemos querer construir o Brasil e o mundo à nossa semelhança. São as diferenças que nos fazem seguir nossa luta. Se não houvesse dois sexos (sem polemizar com os adeptos do mesmo), dois times de futebol, duas opções à mesa, duas estradas a seguir, tudo se tornaria tão monótono que a vida perderia muito do seu significado.

O prefeito ACM Neto escolheu o caminho que lhe pareceu mais oportuno na sucessão estadual e pronto. O governador Rui Costa segue defendendo suas bandeiras e seus ideais, e paralelo a isso, fazendo uma gestão elogiável sob todos os aspectos. Se fez do social a principal meta a seguir, priorizando a saúde, a educação e o pequeno produtor, não deixou de lado a infraestrutura e as estradas.

Os que abominam seu PT não podem esquecer o valor do seu trabalho e estabelecer um julgamento justo, este que o povo da Bahia está fazendo. Mas o governador Rui Costa tem também de estar atento para o cargo que ocupa e o fato de ser governador de todos os baianos. 

Sair em defesa de Lula é um direito que tem, principalmente quando provocado por jornalistas, mas sair a gravar vídeos com essa posição, já é ir um pouco além. Assim como ser tolerante com protestos a infernizar a vida dos baianos, na capital e no interior. Venha de quem vier, adversários ou aliados.

Os protestos são justos, desde que não tragam transtornos a quem só quer trabalhar, levar um filho à escola ou procurar um socorro médico. O direito de ir e vir não pode ser comprometido sob qualquer argumento.  

Enfim, precisamos nos despir desse ódio mortal para poder julgar os que nos cercam sem estabelecer divisões tão extremas. Se Lula errou e não tenho dúvidas disso, deve pagar por seus erros, mas não com um linchamento público, próprio da era medieval. E os que o defendem têm o direito de fazê-lo dentro dos limites concedidos a todos na sociedade, afinal vivemos numa democracia. Ou não?


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