Osteoporose pode ser reduzida pela metade com tratamento

Segundo levantamento científico, as mulheres são as principais vítimas da doença


Tribuna da Bahia, Salvador
11/01/2018 11:20 | Atualizado há 6 dias, 19 horas e 34 minutos

   
Foto: Reprodução

Por Rayllanna Lima

Um novo tratamento por meio de medicação promete dar melhor qualidade de vida para as vítimas da osteoporose. Um estudo inédito feito no Brasil e em mais 14 países, publicado recentemente na revista científica The Lancet, mostra que, após 24 meses de tratamento com o medicamento Forteo (teriparatida), mulheres acima de 45 anos apresentaram redução de 56% na incidência de novas fraturas vertebrais. As mulheres são as principais vítimas da doença.

O estudo foi realizado cm 1.360 mulheres, acima dos 45 anos, com osteoporose grave na pós-menopausa, e comparou a eficácia entre Forteo e risedronato.. Resultados positivos já foram vistos nos primeiros doze meses de terapia, com queda significativa de 48% na incidência de fraturas osteoporóticas. 

“Pela primeira vez, um estudo randomizado mostra evidências da superioridade de Forteo, um agente formador de osso, sobre uma medicação antirreabsortiva”, destaca o coautor brasileiro da pesquisa e professor de reumatologia da Universidade de São Paulo, Cristiano Zerbini.

Além da redução de fraturas vertebrais, houve também uma diminuição de 54% na incidência de fraturas vertebrais novas e agravadas, bem como redução de 52% em fraturas clínicas, combinação das não vertebradas com as sintomáticas.

O estudo foi realizada em 14 países da Europa, América do Norte e América do Sul. Pelo menos 72,1% das pacientes incluídas já haviam sido tratadas com pelo menos uma medicação para osteoporose, mais comumente bifosfonatos.

Evite

A osteoporose afeta cerca de 10 milhões de brasileiros, conforme apontam dados do Ministério da Saúde. Na Bahia, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), de 2008 a 2017, 117 pessoas foram internadas com a doença, sendo que deste total 99 eram do sexo feminino e somente 18 do sexo masculino. As mulheres são as mais afetadas por conta do desequilíbrio hormonal causado pela menopausa, conforme esclarece o médico ortopedista Antonio Luis.

De acordo com ele, as mulheres são atingidas quatro vezes mais do que os homens. “As mulheres acima de 50 anos entram na menopausa, e os índices hormonais caem, principalmente o estrogênio, que é um dos hormônios da síntese do cálcio. Para evitar a osteoporose, é preciso fazer a reposição hormonal, praticar atividade física e tomar sol”, aconselha .

A falta de cálcio contribui para a osteoporose, bem como a falta de sol. O especialista alerta que tomar sol frequentemente é essencial para ajudar a combater a doença, que tem a hereditariedade como um dos principais fatores. Pessoas que não tomam sol não produzem vitamina D, principal elemento que, em uma explicação simples, encaminha o cálcio para o osso. “O cálcio, para fixar no osso, precisa da vitamina D, e essa é estimulada pelos raios solares infravermelhos, que é aquele das 10h às 16h40. Não o de manhã cedo, estes são os raios UVA e UVB”, esclarece.

Praticar exercício também é de extrema importância, haja vista que estimula diversos hormônios, a exemplo de adrenalina, que são elementos precursores da síntese do cálcio. “Uma alimentação rica em elementos que tenham cálcio, fósforo e magnésio é o mais recomendado. Folhas verdes, leites derivados, frutos do mar, todos ajudam. O ideal é uma alimentação que favoreça a formação do tecido ósseo”, garante o ortopedista da Hapvida, Antonio Luis .

Doença

A osteoporose é uma doença praticamente assintomática. Porém, entre os idosos, ela pode dar alguns sinais mais evidentes à medida que evolui até o ponto de provocar micro-fraturas nas vértebras da coluna. Em casos como este, a osteoporose é responsável por dores intensas que, além de causar um grande desconforto, podem limitar boa parte das atividades cotidianas de uma pessoa na terceira idade. 

“As micro-fraturas causadas pela osteoporose nas costas acontecem com a realização de movimentos simples, como quando dobramos o tronco para frente, ou em situações em que é preciso carregar peso. Muitas vezes, essa fratura passa desapercebida na fase aguda e só é sentida com o acúmulo de várias micro-fraturas e as alterações na postura, chamadas de corcundas. Mesmo nesta fase, a doença ainda é pouco diagnosticada ou lembrada. Por isso, muitos idosos não se dão conta de que ela pode ser o motivo por trás das dores nas costas que passam a sentir. Essas micro-fraturas gerar redução da mobilidade e dolorimento constante”, pontua fisiatra do HCor, Pérola Plapler.


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