Canais exalam mau cheiro no Lucaia e no Costa Azul

O problema se agrava no verão, contribuindo também para a proliferação de muriçocas


Tribuna da Bahia, Salvador
13/01/2018 11:00 | Atualizado há 4 dias, 19 horas e 52 minutos

   
Foto: Reprodução

Por Yuri Abreu

Imagine você em sua casa, naquele calor insuportável, quando, de repente, vem àquela brisa tão esperada para dar “aquela acalmada” no tempo quente. Só que ela vem acompanhada de um mau cheiro que muitas vezes beira o insuportável. Detalhe: não precisa estar perto do local para sentir o odor fétido. Em alguns casos, o mal estar é sentido a até mais de dois quilômetros de distância. No verão, com as temperaturas mais altas, a situação se agrava.

Esse é um problema vivido por alguns moradores de Salvador que moram próximo a canais por onde circula o esgoto da cidade, como os da Lucaia (no Rio Vermelho) e do Costa Azul. Mas, situação semelhante também é percebida em outros pontos da capital a exemplo dos canais que ficam nas regiões da Avenida ACM/Detran e Imbuí.

No Costa Azul, o canal do Rio das Tripas (nome dado a um dos afluentes do Rio Camarajipe) é um problema crônico de anos. Não apenas os moradores da região sofrem, como habitantes de bairros vizinhos como a Pituba também ficam incomodados com o mau cheiro. Quem convive diariamente com o problema reclama da questão que parece não ter uma solução definitiva. A reportagem esteve no local, mas é praticamente impossível ficar mais do que cinco minutos devido ao cheiro forte.

“O cheiro é terrível. Quando chove, então, nem se fala. Essa situação incomoda a todo mundo. O ideal seria que cobrisse o canal”, se queixou o advogado Justino dos Santos, morador do Costa Azul. “É um mau cheiro que enjoa. Quando a maré enche, piora. Também acho que eles deveriam cobrir, fazer um espaço de lazer para a população”, disse Carlos Aquino, que trabalha com reciclagem. “O cheiro entra nas nossas casas. Está péssimo isso aí. O pior é que tem umas obras que não terminam, sem contar o parque que está abandonado”, disse a também moradora Lorena Oliveira.

Lucaia

Há quase seis quilômetros de distância dali, outro ponto da capital também incomoda os moradores que são vizinhos do canal da Lucaia, na parte interna do Rio Vermelho. Por ali, é comum a queixa de moradores, comerciantes e pessoas que transitam todos os dias pela região tendo de encarar o mau cheiro que atinge condomínios no Horto Florestal, área nobre de Salvador. Ainda mais no verão, quando os níveis estão mais baixos.

“Isso aqui é um problema que existe há muito tempo, mas que até agora ninguém fez nada para resolver. Além do mau cheiro, a gente tem que aguentar, no verão, as muriçocas e os mosquitos que entram em casa. Um absurdo”, reclamou a dona de casa Carla Moreira.

Equipe já esteve na Lucaia em 2015

Passados cerca de dois anos e três meses, pelo visto, a situação continua a mesma na Lucaia. Em outro de 2015, a equipe de reportagem da Tribuna da Bahia esteve na região e ouviu diversas queixas de moradores e comerciantes na ocasião. Além de problemas com doenças como a dengue, dores de cabeça e alergias, os entrevistados, à época, reclamaram de que, principalmente na hora do almoço, o mau cheiro era tão grande que as janelas tinham de ser fechadas por conta do “vizinho enjoado”.

Naquele período, a assessoria de comunicação da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) disse que o mau cheiro no canal da Rua Lucaia era “resultante do lançamento indevido de esgoto, no rio, por imóveis que não foram interligados à rede coletora por seus moradores ou proprietários, que continuam lançando esgotos domésticos diretamente no rio”.

Procurada novamente pela nossa equipe para falar da situação tanto do Costa Azul quanto do Lucaia, a assessoria de comunicação do órgão informou, desta vez, que a questão seria de responsabilidade da Secretaria Municipal de Manutenção (Seman).

Em nota, a assessoria de comunicação do órgão municipal informou que executa o mantenimento do sistema de drenagem pluvial e fluvial da cidade com a limpeza dos rios, córregos e canais de Salvador (ações de macrodrenagem), além da desobstrução e recuperação do sistema de microdrenagem. Dentro desta ação contabilizamos em 2017 um total de 73 canais limpos, perfazendo aproximadamente 30 mil metros.

“Referente ao mau cheiro informado, entendemos que o sistema de drenagem por sua especificidade não deveria possuir esta característica que na maioria das vezes é o objeto de reclamação, pois teoricamente deveria ser constituído somente pelas águas dos rios e chuvas. Na grande maioria dos casos o problema está atrelado às ligações clandestinas da rede de esgotamento sanitário/doméstico na rede de drenagem pluvial/fluvial, fato que provoca a omissão no órgão responsável pela manutenção dos esgotos. Estas redes não poderiam estar correlacionadas”, explicou, em nota, a Seman.


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