Arritmia ainda é uma das principais causas de morte em Salvador

Segundo especialista, cerca de 28 mil soteropolitanos morrem por ano por arritmia


Tribuna da Bahia, Salvador
22/01/2018 12:13 | Atualizado há 2 dias, 9 horas e 51 minutos

   
Foto: Reprodução

Por Yuri Abreu

Cansaço, tontura, desmaios, palpitações, sensação de batimentos rápidos ou lentos; sensação de falhas nos batimentos cardíacos. Alguns desses sintomas você já deve ter sentido alguma vez em sua vida ou deve conhecer alguém com esse histórico. Se sim, fique atento, pois esses indícios podem estar relacionados com a arritmia cardíaca, um problema que acomete mais de 20 milhões de brasileiros e são responsáveis pela morte súbita de mais de 320 mil pessoas todos os anos.

De acordo com o cardiologista Gilson Feitosa Filho, do Hospital Aliança, existem centenas de tipos de arritmias. “Por questões didáticas, uma das formas de dividí-las seria em bradiarritmias (as arritmias com frequência cardíaca lenta) e taquiarritmias (as arritmias com frequência cardíaca rápida). Também por questões didáticas, outra forma de dividi-las seria arritmias ventriculares (que se originam nos ventrículos do coração) ou arritmias supraventriculares (que se originam nos átrios do coração)”, explicou.

Ainda conforme o especialista, “o sistema coronário é todo o sistema vascular responsável por levar sangue, e consequentemente oxigênio e nutrientes, a toda musculatura cardíaca. O mais frequente é que o déficit do sistema coronário – através de um infarto, por exemplo – cause arritmias, principalmente ventriculares, e não o inverso”.

Contudo, nem todas as arritmias podem ser consideradas malignas – e que levam ao óbito –, segundo a também cardiologista e arritmologista, Luciana Cunha. “As arritmias podem ser benignas, quando não geram risco de morte súbita, bem toleradas pelos pacientes e sem repercussão clínica. Ou malignas, quando tem repercussão no funcionamento cardíaco de forma importante gerando risco de morte a ela relacionada. Podem ser resolvidas com medicação ou outros procedimentos, entre eles ablação por cateter e o implante de marca-passos artificiais”.

Origens

Conforme Luciana, as arritmias podem ter como causas desde herança genética (vias acessórias, doenças de canais iônicos) a patologias adquiridas (isquemia do coração, agudas ou crônicas, alterações metabólicas e de eletrólitos a exemplo de potássio e cálcio). Também estão neste rol patologias infecciosas como miocardites e doença de chagas. “Algumas causas são reversíveis, algumas são curáveis e outras não tem cura, somente tratamento”, apontou.

Segundo Gilson Feitosa, alguns cuidados precisam ser tomados por aqueles pacientes que sofrem com a doença para evitar problemas posteriores. “O primeiro e principal conselho talvez seja não menosprezar sintomas e não postergar muito a procura de auxílio médico. Os cardiologistas são formados durante anos para entender e orientar o melhor e mais seguro no acompanhamento e tratamento de sua arritmia”.

“Um leigo que presencie um desmaio deve, antes de mais nada, ligar para 192 (Samu), ou pedir que alguém telefone. Caso exista indivíduo habilitado, iniciar manobras de ressuscitação cardio-respiratória. A taxa de sucesso da recuperação reduz entre  7% e 10% a cada minuto após o início da parada cardíaca. A melhor atitude frente às arritmias é a prevenção e identificação precoce, para logo que possível proceda-se o tratamento”, emendou Luciana Cunha.

Entre os grupos de risco, estão àquelas pessoas que tem idade avançada: quanto mais idosa, maior o risco. “Também por isso, esta população precisa de um acompanhamento mais frequente, mesmo antes de surgirem sintomas. Também apresentam maior risco de desenvolverem arritmias pessoas que já tem outras formas de cardiopatias prévias, como um infarto no passado ou insuficiência cardíaca, por exemplo”, falou Gilson Feitosa.

Neste sentido, a cardiologista acrescenta que existem outros fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes e tabagismo, assim como insuficiência cardíaca importante. Em jovens, os diagnósticos mais comuns são miocardiopatia hipertrófica, anomalias de artérias coronárias, displasia arritmogênica do ventrículo direito e canalopatias, uma espécie de doença hereditária.

Como descobrir

Mas, quais são os primeiros passos e os exames necessários para a pessoa descobrir se está, ou não, com a arritmia cardíaca? “A simples palpação do pulso radial pelo próprio paciente já pode ajudar a identificar se há alguma alteração de ritmo associada aos sintomas apresentados. Além disso, diante de quadro suspeito de arritmia, o arritmologista pode lançar mão de alguns exames, para ajudar a elucidar o diagnóstico. Dentre eles temos o eletrocardiograma de 24h (holter)”, explicou Luciana Cunha.

“Na presença de sintomas, percebendo que algo nas batidas cardíacas está fora do habitual, vale a pena procurar auxílio de um médico. Este fará uma anamnese (entrevista médica dirigida) e exame físico para melhor elucidar as dúvidas. Um eletrocardiograma, no caso de queixas compatíveis com arritmias, será sempre necessário. O julgamento clínico ditará se algo a mais precisa ser feito”, finalizou o cardiologista Gilson Feitosa Filho.

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