Carnaval sem cordas e da paz

Foram mais de mil horas de música, com destaque para 162 trios sem cordas, tendência que já vêm fazendo sucesso desde a folia de Momo do ano passado


Tribuna da Bahia, Salvador
14/02/2018 06:30 | Atualizado há 7 dias, 19 horas e 34 minutos

   
Foto: Max Haack

Por Jordânia Freitas

Sem abadá e longe dos blocos, o folião pipoca precisou apenas de alegria e energia para curtir os sete dias do Carnaval de Salvador este ano. E haja fôlego e disposição. Foram mais de mil horas de música, com destaque para 162 trios sem cordas, tendência que já vêm fazendo sucesso desde a folia de Momo do ano passado. Sem pagar nada, o público pôde ir atrás dos trios de grandes artistas do cenário local e nacional, como Saulo, Claudia Leitte, Bell Marques, BaianaSystem , Daniela Mercury, Anitta, Pitty e Pabllo Vittar.

O cenário aponta para um possível novo formato da festa, que busca referências em um passado não tão distante. Na década de 1950, quando surgiu o trio elétrico, não existiam cordas. O folião atual tem percebido e comemorado o renascimento desse Carnaval mais diverso.  

Fã de carteirinha do cantor Saulo, a jornalista Aline Santana foi com uma amiga ao Circuito Dodô, no segundo dia oficial da folia para acompanhar a pipoca do artista. Saulo arrastou uma multidão, cantando sucessos da época em que tocava na Banda Eva, além de canções atuais e sucessos da Axé Music.

“Eu sempre saio de camarote ou bloco, mas esse ano está tendo um resgate do Carnaval do passado. O folião pipoca estava perdendo espaço para blocos e camarotes, agora está mais democrático. Espero que continue assim”, opinou.

Saulo puxou o trio sem cordas por volta das 17h, mas às 21h Aline ainda estava no meio da festa, porque aproveitou para acompanhar outros artistas que também desfilaram sem cordas em seguida.

Usando uma fantasia de pirata, a estudante Isabela Longo, de 18 anos, nem sabia qual era a programação dos trios nesse dia.  Mas isso pouco importava, porque ela tinha certeza que opção de diversão é o que não faltava na maior festa de rua do planeta. A intenção de Isabela e das amigas era aproveitar até o último segundo. 

Quando o último trio saísse, por volta da 0h, o agito ia continuar no largo do Farol da Barra, com o Dj da Torre Eletrônica. “Isso é muito bom, porque atrai outros públicos que não gostam muito de axé”, opinou a jovem.

E não tem como falar de folião pipoca sem citar o fenômeno BaianaSystem. No sábado de Carnaval, por voltas das 23h, milhares de pessoas não arredavam o pé do Farol da Barra. Todos estavam na concentração para seguir micro-trio da banda, batizado de Navio Pirata, até a Ondina.

Sob o comando de Russo Passapusso, o grupo que aposta na mistura de ritmos como hip-hop, reggae, arrocha e samba do recôncavo, levou o público ao delírio com os hits Terapia, Playsom e Lucro. Visivelmente impressionado com a energia dos fãs, o cantor Caetano Veloso acompanhou tudo de cima do “navio” e elogiou o grupo em sua conta no Instagram. “Feliz de estar a bordo pela primeira vez da mais nova força do Carnaval da Bahia!”, escreveu o artista.

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