Passageiros dizem que falta orientação na travessia Salvador/Mar Grande

A superlotação também é algo que preocupa quem usa o transporte marítimo


Tribuna da Bahia, Salvador
16/04/2018 15:00 | Atualizado há 4 dias, 2 horas e 31 minutos

   
Foto: Bocão News

Por Jordânia Freitas

Oito meses depois do acidente com a lancha Cavalo Marinho I,  que matou 19 pessoas e deixou 74 feridas em agosto do ano passado,  baianos e turistas ainda se sentem inseguros ao embarcar nas lanchas que fazem a travessia Salvador-Mar Grande e vice e versa. Passageiros dizem que não são orientados pelas empresas que operam as embarcações sobre o uso de equipamentos de salvamento -  como bote e colete salva-vidas -  e como devem agir em casos de acidente. A superlotação também é algo que preocupa quem usa o transporte marítimo.

Há pelo menos dois anos Geraldo Rios, 67 anos, faz a travessia nos fins de semana para visitar um amigo que mora em Mar Grande. Durante esse período, o advogado diz que nunca recebeu instruções sobre o uso dos objetos de resgate. “Acho uma irresponsabilidade, porque é um meio de transporte como qualquer outro, então deveria haver uma orientação para o caso de uma emergência. Mas não há orientação nenhuma, você entra, senta e vai embora. Ninguém fala nada”, revelou.

“Eu atravesso, mas fico com medo”, contou a cabeleira Eliana Mota, 47 anos, que tem casa de veraneio em Barra Grande e utiliza o serviço das lanchas nos finais de semana e feriados. Mota conta  que já presenciou orientações sobre a segurança dos passageiros nas lanchas, mas não é sempre que ocorrem. Apesar de saber da importância da utilização dos coletes, ela afirmou que não costuma usá-lo, por se tratar de uma viagem rápida.

Embarque

Por volta das 9h da manhã de ontem, a TB acompanhou o embarque de passageiros na lancha Joana Angélica I, operada pela Vera Cruz transportes. Com capacidade para 220 pessoas, a embarcação saiu do Terminal Turístico Náutico da Bahia (TTNB), no Comércio, com quase todos os assentos ocupados.

Segundo o marinheiro de máquinas da embarcação, Marcos Frank, existem lanchas autorizadas para que passageiros possam viajar em pé, mas há  suportes para que eles possam se apoiar e seguir a viagem com segurança. 

Conforme Frank, a Joana Angélica I possui uma quantidade de coletes e boias acima do número de passageiros embarcados, 12 balsas com capacidade para 20 pessoas cada, além de equipamentos sonoros de sinalização. No entanto, ninguém estava fazendo uso de colete. “O uso do colete não é obrigatório, mas desde que a pessoa não se sinta segura durante a viagem ela pode se sentir à vontade para usar a hora que quiser. Ele está ali acima da cabeça, fácil de tirar e usar”, afirmou o marinheiro.

Ainda conforme Marcos Frank, todos os passageiros recebem orientação sobre o uso dos equipamentos de segurança por meio de um vídeo que é veiculado assim que a lancha sai do cais, pois a empresa espera todos os passageiros entrarem e se acomodarem primeiro. 

Além disso, antes da vídeo-aula, um marinheiro da tripulação faz a apresentação dos coletes salva-vidas, ensinado como usá-lo. Porém, nem todo mundo veste o equipamento. “Tem pessoas que se sentem autoconfiantes e decidem não usar o colete. Temos coletes infantis também, mas a criança é responsabilidade dos pais”, completou.

Fiscalização

É responsabilidade da Marinha, por meio da Capitania dos Portos, fiscalizar se as empresas que operam a travessia estão transportando a quantidade permitida de passageiros, além de checar a presença dos equipamentos de segurança. Se for constatada irregularidade, o condutor é notificado. Excesso que passageiro também gera notificação. Ontem, quatro militares da Marinha acompanhavam a saída das lanchas no terminal náutico do comércio, mas eles não quiseram falar com nossa equipe de reportagem.

Compartilhe       

 





 

Notícias Relacionadas