Desabafo: “Não quero ver ninguém chorando por mim”

Daniel Alves faz tudo para não deixar transparecer sua grande tristeza com o corte na delegação do Brasil para disputar a Copa do Mundo


Tribuna da Bahia, Salvador
14/05/2018 09:04 | Atualizado há 8 dias, 15 horas e 1 minuto

   
Foto: Franck Fife/AFP/GE

“Eu só chorei uma vez, e foi quando estava sozinho. E deixa eu dizer coisa – eu não quero ninguém chorando por mim. Eu não quero que ninguém sinta pena de mim. Tenho vivido os meus sonhos. Dani Alves não vai pra Copa do Mundo da Rússia, mas é um cara feliz pra c***alho!.”

Um dia após a CBF confirmar que não poderia ser convocado para a Copa do Mundo, o lateral se manifestou sobre um dos episódios mais tristes de sua carreira. No entanto, o jogador do PSG fez questão de dizer que não deixará o sorriso do rosto. E que não espera que ninguém sinta pena dele.

Enquanto os torcedores brasileiros aguardaram ansiosos por três dias na esperança de uma boa notícia, Daniel Alves já sabia o pior. Assim que sentiu a dor no joelho direito, durante a decisão da Copa da França na última terça, o lateral teve a exata noção que sua participação na Copa do Mundo estava ameaçada. Ele próprio fez a confissão, em texto publicado no sábado no site "The Players' Tribune".

O Mundial da Rússia para o lateral será como o dos mais 200 milhões de brasileiros e como era em sua infância: pela televisão. “Só quem em uma TV muito maior desta vez”, brinca Daniel. A situação fez o jogador do PSG viajar ao passado. Em especial, à Copa de 1994. Na carta, o lateral reviveu a emoção do tetra e de como sua casa virava o centro das atenções de onde morava, em Juazeiro, no sertão da Bahia. Era o único local onde muitos tinham acesso a uma TV.

“Meu pai era doente por futebol. Ele era obcecado, então a TV era tudo para ele. Isso fez dele uma espécie de prefeito da cidade. Eu me lembro que, durante a Copa de 1994, a nossa casa era como o centro do mundo. O país inteiro ficava paralisado por quatro semanas, e ninguém na nossa cidade tinha lugar pra ir ver os jogos, então todo mundo vinha até nossa casa. Tipo, todo mundo. Era como se a casa se tornasse em um mini-estádio de futebol. Imagine 50 pessoas em volta de uma TV pequena, berrando, gritando e fazendo a festa”, narra o jogador.

A memória fez Daniel Alves refletir o que é e como será a Copa do Mundo para ele e para os demais torcedores. Ninguém estará apenas assistindo aos jogos. Estará jogando com a Seleção.

“Na Inglaterra, na França, na Alemanha, eles amam futebol, sim. Mas eles são apenas torcedores. No Brasil, nós não estávamos apenas assistindo. Nós estávamos jogando, você entende o que eu estou dizendo?”

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