PT baiano defende união da esquerda

Everaldo Anunciação afirmou que Lula continua sendo candidato – mas não descartou uma conversa com o grupo de Ciro


Tribuna da Bahia, Salvador
15/05/2018 11:50 | Atualizado há 7 dias, 12 horas e 21 minutos

   
Foto: Reprodução

Por Henrique Brinco

Os petistas não admitem explicitamente, mas há sim conversas dentro do PT que levam a crer cada vez mais na possibilidade de uma abertura para conversas entre a legenda e o PDT de Ciro Gomes. Em entrevista à Tribuna, ontem, o pré-candidato ao Palácio do Planalto não descartou a possibilidade de voltar a tentar conversar para montar um “chapão” unindo todos os partidos de centro e esquerda no Brasil. “Não tenho a menor ideia do que vai acontecer com o PT. Respeito o tempo do PT, respeito o momento traumático que eles estão vivenciando, mas há um país com 207 milhões de pessoas que precisa ser salvo de uma agenda impopular, antipobre e antinacional gravíssima que não pode ser legitimada nesse instante. É disso que se trata. É uma agenda que está sendo tocada por um governo ilegítimo e golpista”, declarou Ciro.

O presidente estadual do PT, Everaldo Anunciação, afirmou que Lula continua sendo candidato – mas não descartou uma conversa com o grupo de Ciro. “Temos que analisar que o PT tem Lula como candidato. O PDT tem Ciro. É óbvio que há uma relação de respeito entre as partes. O que nós temos e começamos a fazer: um debate de programas de governo entre PT, PDT, PSOL, PCdoB, PSB, entre outras”, declarou. “Há uma ameaça não só contra o PT. Há uma ameaça contra a democracia e contra a centro-esquerda brasileira. Eu acho que, nesse sentido, a gente tem que continuar dialogando sem pressão nem do PT sobre Ciro, porque tem gente no PT que também defende apenas uma candidatura de Lula. Nós acreditamos que cabe a candidatura de Ciro, de Lula, de Manuela D’Dávila, de Boulos...”, completa.

O deputado estadual Afonso Florence (PT), um dos defensores mais ferrenhos da manutenção da candidatura de Lula, teceu elogios às declarações de Ciro. “Ele usou uma frase correta. O PT tem um tempo. O tempo é o da libertação de Lula, que é o clamor nacional. Está se transformando em uma causa de setores da intelectualidade, políticos que não são do campo do PT”, disse. O parlamentar baiano, no entanto, deixa claro que a legenda ainda espera uma união dos partidos de centro-esquerda na pré-candidatura de Lula (que pode não ser homologada em função da Lei da Ficha Limpa). “Queremos construir uma frente de esquerda. E essa frente, nós vamos convidar vários pré-candidatos. Ciro foi ministro de Lula. O irmão dele, Cid, foi ministro de Dilma. Quem quer apoio tem que estar disposto a apoiar. Nós consideramos que Lula, por estar à frente das pesquisas, tem a possibilidade de agregar apoios”.

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