Candidatos recorrem a vaquinha para financiar campanha

O pré-candidato ao Senado pelo Prona na Bahia, Celsinho Cotrim, se diz “pioneiro” no uso da ferramenta de vaquinha virtual para campanha


Tribuna da Bahia, Salvador
17/05/2018 08:36 | Atualizado há 5 dias, 15 horas e 42 minutos

   
Foto: Reprodução

Por Rodrigo Daniel Silva

Com o financiamento de empresas privadas proibido, os candidatos têm recorrido a uma novidade na eleição deste ano que é a “vaquinha virtual”, uma maneira de arrecadar dinheiro pela internet para as campanhas. O cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Joviniano Neto, diz que a estratégia é um “meio importante de democratização do financiamento”, mas pode esbarrar na cultura brasileira. “No Brasil, as pessoas não têm a tradição de fazer doações para os políticos. Isso, inclusive, levou os políticos a dependerem tanto das doações empresariais. Então, vaquinha é muito importante como meio de democratização do financiamento, mas vai implicar mudança de cultura de muitas pessoas que acham que o político era rico”, avaliou Neto, em entrevista à Tribuna.

O advogado especialista em Direito Eleitoral, Ademir Ismerim, concorda que a ideia da vaquinha é boa, mas tem dúvida se terá êxito. “Eu diria que, se fosse fazer há uns atrás o sucesso era garantido, mas agora com o descrédito dos políticos, não sei. O povo não deve estar muito animado para contribuir. Mas a vaquinha será um complemento do fundo eleitoral para que o candidato tenha condições de fazer campanha”, analisou. Nos Estados Unidos, a vaquinha é um sucesso. Na eleição de 2008, o democrata Barack Obama adotou a tática e arrecadou milhões na campanha presidencial. Em 2015, o também democrata Bernie Sanders conseguiu a maior parte de seus recursos via online, com uma ativa presença na internet destinada a recrutar pequenos doadores. A média das contribuições online era de US$ 30, e 99% de duas doações foram de US$ 100 ou menos, segundo os organizadores de sua campanha.

Na Bahia, o pré-candidato ao Senado pelo Prona, Celsinho Cotrim, se diz “pioneiro” no uso da ferramenta. Segundo ele, anteontem, começou a usar sites para arrecadar recursos e conseguiu, em menos de 24 horas, R$ 2 mil. “O financiamento coletivo é um grande passo para democratizar o processo eleitoral. Não trará uma isonomia entre os candidatos, mas é melhor do que o financiamento de pessoa jurídica. Além disso, traz uma transparência e engajamento maior do eleitor”, afirmou. 

Joviano Neto ressalta, ainda, que no Brasil há uma situação que torna difícil a medida ter êxito, além da cultura, é a pobreza da sociedade. “Temos uma população majoritariamente que ganha menos de dois salários. Quanto menos a pessoa ganha, menos chance tem de doar para uma campanha”, frisou.  Os especialistas entendem que é mais fácil conseguir dinheiro para objetivos específicos (pagar gastos do comitê, custear um encontro com militantes). Segundo eles, é preciso usar comunicação direta e simples, e o processo de cadastro e doação deve ser simples sob pena de a pessoa desistir no meio. 

Especialista quer reestruturação do Senado

O cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Joviniano Neto, defendeu, ontem, que haja uma reestruturação do Senado brasileiro. Para ele, a Alta Casa do Congresso cumpre hoje papel muito semelhante ao da Câmara dos Deputados. Neste sentido, sugeriu que os senadores não sejam proponentes de projetos de leis, apenas os deputados. 

“A discussão [da proposta] pode começar no órgão que, teoricamente, representa o povo, que é Câmara, e depois, vai para órgão que representa os estados, que é Senado, para revisar. Hoje, o Senado tem poderes iguais e maiores do que o da Câmara”, pontuou, em entrevista à Tribuna.

No entendimento do especialista, o Senado deve permanecer sabatinando os indicados a embaixadores e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Também deve resolver os conflitos entre União e estados. Joviniano Neto ressaltou, ainda, que o tempo do mandato dos senadores precisa ser repensando. Hoje, os integrantes da Alta Casa ficam até oito anos. Em outros países, como os Estados Unidos, o mandato é de seis anos.

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