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Claudio Pimentel

Um Pix para Tio Sam

Por Cláudio Pimentel


Tribuna da Bahia, Salvador
04/04/2025 09:00
5 horas e 42 minutos

Donald Trump dificilmente será apontado como o melhor presidente dos Estados Unidos, mas, em compensação, nestes quase 100 dias de sua segunda gestão, já garantiu o “Oscar” de presidente mais mentiroso da história norte-americana, um fora de série. Fiquei comovido com os apelos que fez à razão do mundo por tarifas justas para seu país. Finalmente, entendi o motivo do tarifaço que impôs a dezenas de países e seus maus negociadores, que, há 40 anos, roubam a América. Perdi a quantidade de vezes que já os denunciou, esbravejando como um cowboy fora de si.

Na lista dos fora da lei de Trump, encontram-se “elementos” há tempos conhecidos, como a China, União Europeia e Índia. Todos foram condenados a devolver o suado dinheirinho de Tio Sam, tomado por meio de alíquotas, que levaram indústrias, empregos e, por que não reconhecer, o juízo ianque. Até o Richard Gere se foi. Os jovens “elementos” que cresceram no comércio internacional, empobrecendo o país, foram flagrados: Sri Lanka, Lesoto, Filipinas, Bangladesh e ilhas nos mares do Sul. Nem Pinguim escapa aos 10%. Os garçons agradecem.

Por falar em garçons, outra categoria valorosa é a dos metalúrgicos. Nós temos um que encanta o mundo, o Lula. Porém, só. CNN e JP estão “porraqui” com ele. Na América dos bilionários, trabalhador de pedigree, tipo pelego, é o que importa, e não os fora da curva, tipo jararaca. E foi assim que Trump convidou um representante das montadoras de Detroit para dar apoio a ele. O cara estava eufórico. Branco, parrudo, macacão cinza e boné de Trump na cabeça, pegou o microfone e foi logo dizendo que, desde Reagan, o maior presidente dos... ops, sentiu a gafe, pisou no freio, estacionou o olhar em Trump e piscou os faróis: “você é o melhor”. Safou-se de arranhões.

A “aparição” de Ronald Reagan no tarifaço não me surpreendeu. Na noite anterior, eu vi “Reagan” na TV, filme lançado, em 2024, às vésperas da eleição americana. Assim como na vida não existe almoço grátis, na política nada é grátis. Dirigido por Sean McNamara, o filme foi importante peça de campanha de Trump. Hábil roteirista de açucaradas comédias de Natal e edificantes dramas evangélicos, ele buscou na película pontos de contato entre Reagan e Trump na política, essenciais para humanizá-lo perante os eleitores. Reagan foi desastrado, mas não como Nixon e Bush Jr.. Ele tinha charme, educação e boas piadas. Até sorria. Temente como Trump, ambos acreditam ser abençoados por Deus. Eu duvido.

E daí, pergunta você? Ora, os pontos de contato! Desde Reagan a pauta dos Republicanos é tornar o país grande novamente, reaver as indústrias, zerar o desemprego, proteger o campo, fortalecer o dólar e controlar a imigração. Se, em Reagan, os comunistas eram os maiores inimigos; em Trump, todos que pensam diferente dele é que são. E quem pensa diferente da extrema direita merece prisão. Basta defender um rio, os movimentos LGBT, Mulheres, Negros, Indígenas e Vacinas para virar Che Guevara! Demonizar as armas, então, é colocar um pé fora do lugar. E tudo porque Trump quer dar fim à globalização e legitimar a pirataria como modelo de negócio.

Vou dar uma sugestão a ele. Se o problema é dinheiro, faça como o ex-presidente brasileiro, que tanto o defende, ele e seu PL, peça um Pix aos compatriotas. No dia em que foi tornado réu, suspeito de conspirar um golpe contra o Brasil, ele disse à imprensa, cheio de gáudio, que na hora do aperto pediu um Pix. Assim fez, por exemplo, quando se viu diante de uma fortuna em multas por não usar máscara na Pandemia, em São Paulo. Lembrou de outras situações similares, sendo que, numa delas, recebeu mais que o programa “Criança Esperança”. Por essa a Globo não esperava. Peça um Pix, Trump. Tem maluco pra tudo. No seu caso, o risco é tornar-se um fora da lei ainda maior.

Cláudio Pimentel é jornalista.

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